A Periodontologia é a área da Medicina Dentária que trata as doenças que afectam os tecidos que suportam os dentes. O periodonto (estruturas de suporte do dente) é constituído pelo osso alveolar, gengiva, cimento e ligamento periodontal. As estruturas periodontais têm funções muito importantes na cavidade oral tais como a manutenção dos dentes numa posição correta garantindo uma adequada função, conforto e estética. As doenças periodontais são bastante frequentes estimando-se que 8 em cada 10 pessoas com idade igual ou superior a 35 anos apresente algum tipo de doença que afecte a gengiva. As doenças periodontais não tratadas podem levar a consequências irreversíveis na cavidade oral. Hoje em dia a Periodontologia tem assumido um maior destaque uma vez que os “problemas de gengiva” não são restritos à cavidade oral, tendo implicações na saúde em geral. Estudos científicos recentes têm associado a Periodontite a outras patologias sistémicas como diabetes, infecções respiratórias, artrite reumatóide, doenças cardiovasculares, entre outras, constituindo também um potencial factor de risco para a ocorrência de partos prematuros em mulheres grávidas.
As doenças periodontais são as doenças que afectam os tecidos que suportam os dentes. Basicamente existem dois tipos: gengivite (doença inicial que apenas afecta a “parte superior” do periodonto – gengiva) e a Periodontite (doença mais avançada que afecta o suporte dentário em profundidade, levando à destruição do osso de suporte do dente).
As doenças periodontais de uma forma geral não são dolorosas, pelo que a dor numa fase inicial não costuma ser sinal de alerta. Existem, de acordo com a gravidade do caso, sinais e sintomas que podem surgir e aos quais os pacientes devem estar atentos, tais como:
– hemorragia durante a escovagem dentária normal;
– hemorragia que ocorre de forma espontânea ou durante a mastigação;
– gengivas que vão sofrendo retração causando a sensação de ter “dentes mais compridos”;
– perda de gengiva entre os dentes com aparecimento de “espaços”;
– gengivas com edema e muito avermelhadas;
– mau sabor e mau hálito;
– alterações na posição dos dentes;
– dor ao frio;
– dor persistente na gengiva;
A Gengivite consiste na fase inicial das doenças de gengiva, sendo relativamente fácil de tratar e de controlar. A Gengivite, ao contrário da Periodontite é reversível pelo que uma vez concluído um correto tratamento, a saúde das gengivas fica restabelecida.
A gengivite é causada pela acumulação de placa bacteriana na superfície do dente e na gengiva, sendo que em casos específicos outros factores poderão ter impacto.
Se a gengivite não for tratada, em algumas pessoas poderá progredir para a forma mais avançada da doença que se chama de Periodontite. A existência de bactérias em combinação com outros factores (susceptibilidade genética, factores de risco como tabaco, diabetes não controlada, entre outros e/ou ou factores locais da cavidade oral) poderá levar a uma Periodontite. Nesta fase da doença, a inflamação e a infecção progridem para as zonas mais profundas da gengiva com perda significativa do osso de suporte levando a alterações irreversíveis. Nas doenças mais severas e avançadas a Periodontite poderá levar à perda do dente, por falta de suporte suficiente que permita manter o dente na cavidade oral.
A Periodontite é causada pela combinação de diferentes factores, sendo essencial a existência de bactérias. Para que a doença se desenvolva, factores de risco ambientais (tabaco, entre outros), sistémicos (diabetes, entre outros) e genéticos (susceptibilidade genética) deverão estar presentes de forma a que a doença progrida.
As bactérias ao avançarem ao longo da superfície da raiz do dente, começam a organizar-se de forma mais complexa o que leva a um processo inflamatório (resposta de defesa) significativo. Desta forma, nas zonas afectadas começa a formar-se um espaço chamado de bolsa periodontal onde as bactérias libertam produtos e toxinas que contribuem para a destruição do osso de suporte.
A avaliação da saúde das gengivas deverá ser feita utilizando métodos de análise clínica e através de exames radiográficos. Na consulta de diagnóstico, a realização de um periodontograma (exame específico através de medições) irá revelar a gravidade da doença através da avaliação das bolsas periodontais (espaço que se cria na zona inferior da gengiva e que surge por existir uma perda de osso de suporte do dente).
As consequências da Periodontite poderão ser locais, ao nível da cavidade oral, ou a nível geral com interferência na saúde global dos pacientes.
A nível da cavidade oral a Periodontite leva a uma perda significativa de osso que pode levar a consequências estéticas e funcionais, na medida em que, nos casos mais avançados, poderá levar à perda de dentes com compromisso severo da mastigação.
Hoje em dia já se sabe que a Periodontite também pode afectar o resto do organismo uma vez que a presença de uma quantidade elevada de bactérias poderá entrar na corrente sanguínea assim como substâncias resultantes da inflamação que poderão, desta forma, aumentar o risco para doenças cardiovasculares, aumentar a probabilidade de mulheres grávidas terem parto prematuro, afectar o controlo da diabetes, entre outros.
A gengivite é uma doença superficial, que afecta apenas a gengiva e não o osso, tratando-se de forma relativamente simples através de destartarização (“limpeza dentária profissional”) e com a implementação de técnicas de higiene oral apropriadas que permitam remover de forma eficaz a placa bacteriana que se acumula tanto na superfície dentária como abaixo da margem da gengiva. A destartarização permitirá remover, de forma profissional a placa bacteriana e o cálculo (tártaro – placa bacteriana já calcificada e mineralizada).
O tratamento da Periodontite é um tratamento por fases, precisamente por se tratar de uma doença crónica, relacionada em parte com a susceptibilidade genética. Para que o tratamento tenha sucesso é essencial uma cooperação do paciente ao realizar uma boa higiene oral em casa assim como cumprir as consultas de rotina específicas para o seu caso.
Numa primeira fase é realizada a consulta de diagnóstico (avaliação através de medição das bolsas periodontais e de exames radiográficos), com uma explicação pormenorizada da doença salientando a extrema importância da colaboração do paciente para o sucesso do tratamento. Nessa mesma consulta são explicados os métodos de higiene oral mais apropriados para cada caso específico assim como a sequência do plano de tratamento.
De seguida deverá passar-se para uma fase de tratamento profissional que consiste em destartarização e alisamento radicular, com eliminação das bactérias que se encontram depositadas sobre a superfície dentária e na gengiva. Estes procedimentos são indolores e realizados, quando necessário, com anestesia local.
Após conclusão desta fase de tratamento dever-se-á aguardar cerca de 6 a 8 semanas para a consulta de reavaliação periodontal, onde novamente será realizada uma medição das bolsas periodontais. Nesta consulta, dependendo da gravidade do caso poder-se-á concluir que a saúde periodontal está controlada e por isso a fase seguinte consistirá em consultas regulares de manutenção (periodicidade dependente de cada caso). Se a doença for mais avançada poderá ser necessário realizar cirurgia periodontal de forma a conseguir controlar a doença antes de prosseguir para uma fase de manutenção.
Em alguns casos específicos poderá ter que se recorrer a antibióticos de forma a melhorar os resultados do tratamento.
As técnicas de higiene oral devem ter como objectivo a eliminação da placa bacteriana que se deposita sobre a superfície dentária assim como abaixo da margem gengival. A forma como se escova os dentes assim como a utilização de fio dentário e/ou escovilhão deverão ser adaptados a cada paciente e a cada caso específico.
De uma forma geral, a escovagem dentária deverá ser realizada no mínimo 2 vezes por dia em associação com métodos para remover a placa bacteriana entre os dentes (1 vez por dia). Em casos específicos a utilização de colutórios (bochechos) poderá estar indicada.
Após uma fase de tratamento inicial e de acordo com cada caso será estabelecido um programa de manutenção com consultas frequentes, cujo intervalo vai depender do risco individual. Uma vez que a Periodontite é uma doença crónica, o paciente deverá sempre cumprir as consultas de forma a prevenir que a doença possa levar a uma destruição adicional e assim assegurar a saúde das gengivas.
A recessão gengival consiste na “retração” da gengiva que provoca uma exposição da superfície radicular do dente. Existem inúmeras técnicas que podem ser utilizadas para repor e voltar a recobrir a superfície exposta. Uma avaliação pormenorizada irá definir qual a melhor técnica para cada caso específico.
De uma forma geral, o osso que se perdeu por consequência da Periodontite não é possível recuperar. No entanto, em situações específicas poderão utilizar-se técnicas de regeneração periodontal que permitem restituir o osso perdido pela doença.
As doenças periodontais podem, em parte, ser prevenidas através da realização frequente de uma higiene oral rigorosa e meticulosa que inclua não apenas a escovagem dentária (pelo menos 2 vezes por dia), com a técnica apropriada, assim como a “limpeza” entre os dentes através de fio dentário e/ou escovilhão.
Apesar de uma higiene oral adequada, a saúde das gengivas deverá ser avaliada regularmente nas consultas com o Médico Dentista através de uma exame periodontal específico.
O impacto das doenças da gengiva em outras partes do organismo tem vindo a ser alvo de muitos estudos, tendo-se verificado que pacientes com formas mais avançadas da doença podem ter risco aumentado de doenças cardiovasculares, infecções respiratórias, atrite reumatóide, ocorrência de partos prematuros, entre outros.
Por esse motivo, salienta-se a importância de manter uma adequada saúde periodontal de forma a garantir não apenas a saúde oral mas também a saúde geral.

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